E-commerce: Varejo High-Tech
Publicado em Artigos, Mercado em 04/27/2009 08:20 pm por Willian Leite
Parece incrível, mas alguns gigantes do varejo demoraram, e muito, para perceber a importância do comércio eletrônico (e-commerce), adiando desta forma o lançamento de suas lojas virtuais. Wal-mart e Casas Bahia foram dois exemplos clássicos de lentidão nessa iniciativa, mas se redimiram há poucos meses.
A popularização das vendas de computadores e notebooks no Brasil e a facilidade de instalação de redes de banda larga deram sinais claros de que o perfil dos consumidores estava mudando, especialmente os de classe C e D, e esse seria um belo potencial a ser explorado. Os números comprovam. No Brasil, o número de consumidores que compram pela internet chegou a 13,2 milhões durante 2008, aumento de 39% em relação a 2007, segundo dados do e-bit.
De acordo com o estudo, as mulheres passaram os homens e agora representam 51% dos consumidores on-line. A consultoria estima que o setor deverá movimentar R$ 4,2 bilhões até julho deste ano, acréscimo de US$ 800 milhões em relação aos seis primeiros meses do ano anterior. A expectativa é de o número de consumidores on-line chegue a 17,2 milhões até o final de 2009.
Ranking dos produtos mais vendidos em e-commerce:
- 1º lugar – Livros (17%)
- 2º lugar – Saúde e Beleza (12%)
- 3º lugar – Informática (11%)
- 4º lugar – Eletrônicos (9%)
- 5º lugar – Eletrodomésticos (6%)
Em fevereiro deste ano a Casas Bahia inaugurou sua loja virtual, foram investidos R$ 3,7 milhões de reais, e a companhia espera que a loja represente até 2% do faturamento em um ano. Já em outubro de 2008 foi a vez do Wall-Mart, que apresentou a versão brasileira de sua loja virtual. Com investimentos da ordem de R$ 25 milhões, a loja virtual brasileira é a primeira fora dos Estados Unidos a levar o nome da rede varejista americana, já que em outros países são utilizados os nomes das subsidiárias regionais.
Mas não são apenas as grandes marcas a embarcarem nessa onda. Com a entrada da Classe C e D muitos varejistas menores e cooperativas já planejam sua loja e-commerce. Buscando inovação da própria marca e um novo meio para aumento das vendas, a entrada dessas iniciativas no segmento aumentam as opções e num momento de crise pode ser a grande virada na massificação da internet.
Muitos hoje em dia já fazem tudo pela internet, seja de compra de livros, locar filmes, reserva de voo, compras de supermercado e farmácia até a pizza de toda noite. Com a massificação da internet, opções de e-commerce não pensadas hoje se tornam viáveis e devem incomodar os grandes player.
Temos também o aumento dos smartphones, que já trazem hoje uma opção viável de compra móvel. Isso sem contar o boom dos Netbooks e “plaquinhas” de internet que estão viabilizando o conceito de onipresença da internet. Se eu vou fazer aquela compra de produtos de limpeza, que faço todo mês, acessar o site pelo celular para “refazer” meu pedido possibilita uma usabilidade real de navegação nos smartphones.
A Casas Bahia já entrou com uma oferta agressiva, oferecendo produtos muitas vezes com parcela de menos de R$ 10. A diferença para as lojas físicas é que a pesquisa de preço é mais simples, e a visão clara de lojas que atendem A e B diferente do público C e D podem se misturar na grande rede. Sendo a loja bem qualificada e o produto mais barato, por que não comprar lá?
Hoje temos as redes sociais cada vez mais integradas, sites como o e-bit, que qualificam as lojas. Um público mais conectado, que esta levando as lojas a se preocuparem mais com a qualidade de serviços. Infraestrutura mais experimentada, gateways de pagamentos mais seguros, empresas de distribuição com mais experiência nesta modalidade. Aumento do ecossistema do varejo online, aumento de público, aumento de e-lojas.
No momento da crise atual a Cauda Longa dos consumidores online pode ser a grande oportunidade para fugir da crise.
* Willian Leite, arquiteto de soluções, comanda uma equipe de 20 profissionais de TI especializados nas principais tendências atuais (SOA, BPM, E-Commerce, DBA, Content Management System) e participou ativamente do projeto e implantação de três e-commerces para o segmento varejista.
