Setor financeiro na vanguarda da Tecnologia da Informação – É a vez do Débito Direto Autorizado (DDA)
Publicado em Artigos, Mercado em 04/14/2009 02:07 pm por Luiz Bonsegno
Bancos, seguradoras, empresas de previdência privada, instituições de crédito, financeiras e corretoras de valores mobiliários formam o setor que mais investe em Tecnologia da Informação no Brasil, respondendo por cerca de 20% do total gasto no País.
Segundo estudos da IDC, Brazil Quarterly Server Tracker Q308 e IDC Brazil Quarterly Storage Tracker Q308, o segmento financeiro consumiu em 2008 cerca de 42,8% das receitas totais investidas em servidores (incluindo mainframes), assim como 29,3% do total investido em armazenamento de dados no Brasil. Este segmento é o que responde pela maior fatia de investimentos em ambos os mercados.
O setor financeiro brasileiro coloca em prática este ano mais um grande projeto. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) junto a CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos), em parceria com os bancos, aprovaram um novo processo que vai revolucionar os meios de pagamento. Trata-se do Débito Direto Autorizado (DDA), que entra no ar em outubro deste ano.
Além de revolucionar os meios de pagamento, o DDA vai incrementar a demanda de hardware, software e serviços de Tecnologia da Informação no país. O DDA permitirá o recebimento eletrônico de compromissos de pagamentos, permitindo assim reduzir o número de boletos em papel.
Os benefícios são inúmeros, além da economia em papel, tarifa de correios, entre outros, minimiza inconsistências e oferece, principalmente, ganho na agilidade. Segurança é outro item que merece destaque, já que existe hoje no Brasil um número significativo de fraudes realizadas por meio de boletos bancários.
Com sucesso já garantido, o sistema promovido pela Febraban e CIP pode ser considerado produto de uma linha evolutiva provocada pela implantação do SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro) em abril de 2002 pelo BACEN (Banco Central).
Inicialmente concebido para imprimir performance às transações financeiras (devido às altas taxas de inflação da época em que o projeto foi iniciado), o SPB teve seu objetivo revisto em 2001 e 2002 e foi redirecionado ao gerenciamento de riscos, colocando o Brasil no hall dos países em que transferências de fundos interbancários podem ser liquidadas em tempo real. Além de vincular qualquer transferência de fundos entre contas à existência de saldo suficiente de recursos em conta. Essas medidas elevaram a confiabilidade e credibilidade no sistema financeiro brasileiro não apenas por aqui, mas junto a toda comunidade internacional, principalmente Europa e EUA.
Assim como o DDA, outros projetos de magnitude estão no radar das principais entidades financeiras do país e continuarão a movimentar o setor, utilizando toda a expertise de profissionais brasileiros já consagrados internacionalmente como potenciais desenvolvedores de soluções de TI.
Nosso País, por meio de instituições financeiras, bancos e governo, continua firme na vanguarda da Tecnologia da Informação. Ao que parece, essa linha evolutiva tende a continuar produzindo bons frutos, desafiando o setor de serviços e a apoiar, construir e consolidar nos próximos anos os melhores ambientes de hardware e software do mundo.
* Luiz A. G. Bonsegno, analista de sistemas, é Diretor de Projetos de TI para o Segmento Financeiro.

04/15/2009 as 16:41
Falhas do Projeto DDA
A iniciativa dos bancos em criar uma Clearing de Títulos de cobrança para pagamentos em canais de auto-atendimento é uma evolução incontestável, que permitirá colocar os bancos na dianteira para integração do mercado de pagamentos de recebíveis.
Porém, em relação ao tratamento dos mecanismos propostos para entrega dos títulos e busca de informações para os seus clientes, há que se constatar uma série de fragilidades, que não corrigidas a tempo, podem resultar num baixo prognóstico dos resultados esperados.
Com base na versão 5 do documento fornecido pela CIP – Câmara Interbancária de Pagamentos podem-se verificar algumas deficiências.
Uso exclusivo de Títulos Registrados – Devido ao custo de colocação de um titulo em cobrança nessa modalidade e pelas facilidades de emissão pela própria empresa nos padrões de mercado, a opção de envio dos dados aos bancos são, essencialmente, utilizadas quando no vínculo dos títulos a operações de desconto ou garantia de crédito. Nesse cenário pode-se constatar que o volume preponderante está alocado a modalidade CNR – Cobrança Não Registrada – , que não estará disponível para acesso no DDA.
Chaves de Busca por CPF/CNPJ – Pelos próprios exemplos fornecidos pelo DDA – Condomínio e Plano de Saúde – pode-se verificar características onde o CPF/CNPJ não são necessárias. No primeiro caso a geração de cobrança é impositiva, isto é, a situação do sacado é fator determinante para cobrança. O segundo caso resulta em fator de restrição. Se o usuário não paga, o serviço é suspenso. Então, pode-se concluir que em ambos os casos, o CPF/CNPJ são irrelavantes para efeito de verificação de restrição na emissão. Esses dois casos também são típicos para modalidade de CNR.
Entrega exclusiva de dados por bancos – Com a difusão de banda larga e baixo preço de equipamentos, qualquer empresa que utilize cobrança estaria apta a fazer os processos de entrega de dados. A oferta de programas testados e certificados poderiam fazer todo o processo de mensageria sem maiores problemas. Bastaria verificar o exemplo da Receita Federal na declaração de imposto de rendas.
Opção exclusiva por Títulos de Cobrança – O mercado de Tarifas Publicas(Telefonia, Energia etc.) é bastante superior ao de boleto de cobrança, com menor número de empresas, que possuem maior capacidade de investimentos em adaptações. A opção por esse tipo ou também por esse tipo traria resultados imediatos, mesmo porque ambos utilizam padrão de 44 dígitos.
As questões abordam características a serem discutidas num cenário de projeto e avaliação de tecnologias.
Em relação os benefícios enunciados, pode-se questionar a redução de papel, pois o boleto é utilizado como instrumento de demonstração de despesas(Vide os exemplos), com ferramenta de marketing, e em última instância as empresas adotaram como contingência no caso de falha do DDA.
No quesito de segurança há que se questionar o envio e exposição de dados completos de um cliente(CNPJ, Nome, endereço etc.). Quando no processo de entrega dos títulos, basta uma mensagem com esses dados para o banco pagador colocar o cedente como um prospect(Cliente Potencial). E essa é a informação mais cara no mercado.
Ildeu Coelho
ildeucoelho@gmail.com
04/20/2009 as 15:14
Os 2 últimos posts são muito motivadores para os profissionais de mainframe. É bom saber que a BRQ está participando de projetos do porte de um DDA e que ainda há um grande mercado de mainframe.