Terceirização em Tecnologia da Informação sim!
Publicado em Artigos, Mercado, outsourcing em 03/25/2009 04:22 pm por Alexandre Pereira
Já foi dito que o pato é um animal interessante quanto ao leque de habilidades que apresenta: corre, voa, nada e canta (canta?). Acontece que ele não se destaca em nenhuma delas: corre, mas não é um grande corredor… e assim por diante. Sabe qual o motivo disso? Ele não tem foco.
Agora observe o mundo corporativo. Ele é repleto de exemplos de “empresas pato” com uma extensa lista de habilidades mantidas em seu organograma: Compras, Jurídico, RH, Comercial, Financeiro, Marketing, Tecnologia e outros mais.
Entendam. Não estou dizendo que estas empresas não têm foco. Mas se analisarmos bem o real negócio destas empresas, começamos a identificar habilidades desnecessárias dentro do organograma.
E aqui mais uma vez faço uma ressalva sobre a definição de “desnecessárias”. Quando falo em desnecessárias estou relacionando aquelas habilidades que não trazem diferencial competitivo para uma determinada empresa.
Ou você é daqueles que ainda acredita que toda empresa precisa de uma mega estrutura de Tecnologia da Informação (TI) com diretores, gerentes, arquitetos, analistas, desenvolvedores e outros mais? Deve também acreditar que, ao contrário de adquirir um produto de CRM de mercado, o melhor a fazer é investir um esforço de meses de trabalho e construir o seu próprio sistema para gerenciar o relacionamento com seus clientes.
Meu amigo desenvolvedor, acredite em mim: o sistema que você quer desenvolver dentro de casa poderá ser perfeito. Mas dificilmente ele vai fazer algo que qualquer outro CRM de mercado já não faz. Também não vai trazer o necessário diferencial competitivo ambicionado por sua empresa. E mais ainda, você vai criar um legado que demandará investimentos em manutenção corretiva/evolutiva para um empresa que não é uma softhouse.
Você pode não gostar ou concordar com o que está lendo. Mas vai ter que aceitar um fato: se sua empresa não é do segmento de serviços de TI e você é um profissional de TI (e quer ser reconhecido como tal), desculpe-me, mas hoje você não está no lugar certo. Se o negócio da empresa (onde você trabalha) é o varejo de alimentos, o foco não vai ser (nunca) construir sistemas.
Façamos agora uma pequena análise desse cenário para, nós, profissionais de TI.
A empresa onde nosso amigo desenvolvedor trabalha
Lembrando, a essência do negócio onde nosso amigo desenvolvedor trabalha é o varejo de alimentos. Todos os esforços estão focados na excelência operacional na logística de distribuição, nas compras, na relação com fornecedores e no atendimento aos clientes.
Mesmo sabendo qual é o seu negócio, a empresa continua insistindo no modelo de organograma repleto de habilidades. Facilmente identificamos alguns problemas que esse modelo nos acarreta:
Profissionais desmotivados e preocupados somente com sua sobrevivência
Já percebeu o quanto ouvimos “tudo é muito difícil e não vou conseguir fazer para hoje” de alguns profissionais das equipes de TI nas empresas? É a triste maneira encontrada para demonstrar a necessidade da existência da equipe interna de TI por, pelo menos, mais um dia.
Vivem em constante sentimento de medo e por isso não se envolvem nos projetos mantendo uma distância segura daquilo que identificam como problemas (desafios relacionados a mudanças de tecnologia, por exemplo).
Pouco investimento nos profissionais
Faz muito tempo que a TI virou a grande vilã quando se fala em investimento (em profissionais) sem retorno. Para que investir em treinamentos de TI se meu negócio é vender alimentos?
Profissionais com baixo interesse no negócio
Profissionais de TI gostam de novidades, testar coisas novas, usar produtos novos, aplicar conceitos novos. Mas pergunte ao desenvolvedor qual o grau de importância (para o negócio) do sistema que ele está construindo. Ou qual o motivo de escolher JavaServer Faces + SEAM + EJB, quando o mesmo sistema poderia ser desenvolvido em menos tempo, com menor esforço e com um custo menor ainda utilizando STRUTS + SPRING + IBATIS?
Baixo reconhecimento pelo trabalho efetuado
Projeto, arquitetura e codificação perfeitos. Nosso amigo desenvolvedor construiu um sistema de CRM que poderia ser um case de sucesso – mas não em uma empresa de varejo. Lembre-se que, para o usuário da área de negócio, o que importa é a qualidade dos dados apresentados na tela – e não como o sistema foi construído.
Empresas onde o foco é TI
Algumas empresas já conseguiram identificar quais são as habilidades necessárias no organograma e que trazem o diferencial competitivo. E a equipe interna de TI, como hoje conhecemos, deixou de existir. Os novos profissionais de TI, ao contrário de analistas de sistemas e desenvolvedores, apresentam outros perfis, tais como:
- Analistas de Negócio: sua função é entender quais são as demandas de TI necessárias às Áreas de Negócio.
- Gestores de Contratos: sua função é gerenciar os contratos com os fornecedores de TI e fazê-los cumprir os SLAs.
Para estas empresas, a TI é um conjunto de ferramentas para ajudá-las a tomar decisões. Portanto não importam quais tecnologias ou produtos são utilizados, desde que a informação seja confiável e disponível quando necessária.
E quem é que projeta, desenvolve e mantém esse conjunto de ferramentas para estas empresas? Outras empresas que têm a TI como essência do negócio. E como esse é o foco destas empresas, identificamos as seguintes características.
Profissionais reconhecidos como diferencial competitivo
Sistemas de TI são o produto final da empresa – é o que vendemos aos clientes. Mas esses sistemas são o resultado do trabalho (mesmo que alguns digam o contrário) altamente especializado de profissionais (nem sempre eu digo) altamente especializados.
Desenvolvedores fazem parte do ativo das empresas de TI. A presença de bons desenvolvedores é um diferencial competitivo neste mercado.
E para manter esses (muito bons) profissionais na lista de colaboradores, as empresas investem em remuneração diferenciada. Treinamentos, participação em eventos técnicos e, em alguns casos trabalhando em projetos no exterior são outros incentivos utilizados.
Fazer parte do negócio
Construímos sistemas para uma empresa que tem como negócio construir sistemas.
Diversidade
Empresas de TI atendem a clientes dos diversos segmentos de mercado. E esses clientes apresentam um diversificado portfólio de sistemas, tecnologia e produtos. Chance de trabalhar, sempre, com algo diferente.
Cada um com seu cada um – também em TI
Gostando ou não, a terceirização é uma realidade. As empresas estão cada vez mais focadas no seu negócio, buscando corte de custos e eficiência operacional máxima. Com relação àquelas habilidades que estão distantes do negócio principal, a estratégia adotada é delegá-las às outras empresas.
Vamos lembrar também do momento que estamos vivendo. A crise financeira mundial está exigindo das empresas uma revisão nos seus investimentos. Muitas irão adotar a terceirização para auxiliar na gestão de custos.
Neste cenário, sendo uma empresa de varejo de alimentos, os investimentos devem ser direcionados para transformá-la em uma eficiente máquina de compra, distribuição e vendas. Foco total na essência do negócio para que a empresa alcance dos resultados desejados.
E quando esta mesma empresa decidir pelo uso de um sistema de TI, o ideal é direcionar esta demanda para as empresas de TI, que dedicam recursos para construir sistemas, que sabem construir sistemas, quem são eficientes nesta tarefas. Sistemas são a essência do negócio de empresas de TI.
E quando esta mesma empresa decidir pelo uso de um sistema de TI, o ideal é direcionar esta demanda para as empresas de TI, que dedicam recursos para construir sistemas, que sabem construir sistemas, que são eficientes nesta tarefas. Sistemas são a essência do negócio de empresas de TI.
Portanto, para as empresas de TI, o momento é de entender a essência do seu negócio. E foco volta a ser o principal. Não vale dizer ser o pato de TI. É importante ser uma empresa reconhecida por alguma competência. Tornar-se uma empresa que faz um trabalho pelo qual vale a pena pagar.
Isso vale tanto para a empresa quanto para o profissional. De que adianta ser um super profissional de TI em uma empresa de varejo? Todos gostam de ter orgulho de suas habilidades e ambicionam ser reconhecidos por estas.
A terceirização é a nossa oportunidade de fazermos a diferença como profissionais, atuando em empresas de serviços de TI. É a nossa oportunidade de fazer um trabalho que importa!
Alexandre Pereira é arquiteto de soluções e não gosta de pato com laranja.
